Hoje é São João, então vamos pular a fogueira!

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Dia 24 de junho – Dia de São João. São João é conhecido como o “Santo Festeiro”, e nesse dia são realizadas muitas festas conhecidas popularmente como Festas Juninas, comemorações marcadas por danças, pratos típicos e brincadeiras.

Na cultura popular brasileira, as festas juninas têm lugar especial, pois, além de valorizarem as tradições locais do país, também revelam muitos elementos históricos, religiosos e mitológicos curiosos, que passam despercebidos.

Tais festas, como é sabido, seguem o calendário litúrgico da Igreja Católica, que, no processo de assimilação dos antigos cultos pagãos europeus – na transição da Idade Antiga para a Idade Média –, acabou por substituir os rituais dedicados aos deuses médio-orientais, gregos, romanos e nórdicos por festas dedicadas aos santos.

É um dos principais feriados do Brasil, sobretudo no Nordeste, onde a data é feriado em diversas cidades. As tradicionais festas juninas são as mais importantes naquela região.

Nesse dia são realizadas muitas festas marcadas por danças, pratos típicos e brincadeiras. Alguns símbolos bastante conhecidos nas celebrações são a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha, o manjericão e a quadrilha.

Embora seja celebrado no Brasil inteiro e até no mundo, com maior ou menor intensidade, o Dia de São João não é feriado nacional. Principalmente no Nordeste, a data é feriado estadual, pois faz parte do calendário folclórico da região.

Em Pernambuco, por exemplo, a data é um feriado. No estado, são comemoradas algumas das mais tradicionais festas juninas, associadas ao feriado. Uma das mais famosas é a de Caruaru.

Origem do Dia de São João e da Festa Junina

Muitas pessoas se perguntam sobre o motivo das comemorações do dia de São João serem feitas nesta data. Por que no dia 24 de junho? Na tradição cristã, que dá nome ao dia, a data é o aniversário de João.

Existem duas possíveis explicações para a origem do termo Festa Junina. A primeira é pelo fato das comemorações ocorreram durante o mês de junho. Já a segunda teoria afirma ser uma homenagem direta a São João. No princípio, em alguns países da Europa, a festividade era chamada de Festa Joanina.

João, posteriormente santificado, além do apóstolo mais próximo de Jesus, era seu parente e foi quem o batizou nas águas do Rio Jordão.

João era filho de Isabel e Zacarias e viveu como um nômade pregador. Segundo a tradição cristã, ele morreu decapitado, aos 29 anos.

No aniversário de Herodes, rei da Judeia, a filha de Herodíades, sua amante, dançou de forma tão surpreendente que, admirado, Herodes prometeu dar o que ela quisesse. Orientada por Herodíades, a filha pediu a cabeça de João Batista numa bandeja, porque João condenava o comportamento adúltero do casal.

As fogueiras, um dos principais elementos das celebrações do Dia de São João, também estão associadas ao nascimento de João. Foi por meio de uma fogueira, que a mãe de João, Izabel, avisou a Maria, mãe de Jesus, que João havia nascido.

De acordo com historiadores, entretanto, as festas de São João têm origem ainda mais remota, em rituais pagãos europeus de celebração do fim do inverno e da chegada do verão (no hemisfério Norte, o verão começa quando o inverno começa aqui, em 21 de junho).

Havia, na segunda quinzena do mês de junho, quando ocorria o solstício de verão na Europa, o culto a deuses da natureza, das plantações, colheitas etc. Um desses deuses era Adônis, que, segundo o mito grego, foi disputado por Afrodite (deusa do amor) e Perséfone (deusa dos infernos). A disputa foi apaziguada por Zeus, que determinou que Adônis passaria metade do ano com Afrodite, no mundo superior, à luz do Sol, e a outra metade com Perséfone, no mundo inferior, nas trevas.

Essa disputa entre deusas acabou sendo associada aos ciclos naturais da vegetação, que morre no inverno e renasce e vigora na primavera e verão. O culto a Adônis, cujo dia específico era 24 de junho, tinha por objetivo a celebração dessa renovação, da “boa-nova” do renascer da natureza.

Com a ascensão do cristianismo na Europa, essa ideia foi assimilada pelo cristianismo, que substituiu Adônis por São João Batista e tais rituais teriam sido assimilados pela religião, dando a eles, os rituais, a forma pelos quais são conhecidos até hoje.

Dia de São João e festa junina são a mesma coisa?

Sim e não. Toda festa de São João é junina, mas nem toda festa junina é no Dia São João. As festas de santos em junho são três ao todo. Além de São João, são celebrados os dias de Santo Antônio e de São Pedro.

Na origem, as festas celebravam a chegada do verão e pediam aos deuses uma colheita farta. Os diversos derivados de milho nas festas juninas, tem uma conexão com esse elemento, já que a colheita do milho é feita nesta época.

Pesquisas apontam que as primeiras festas de São João foram celebradas na Idade Média. Essa comemoração, com a de São Pedro e a de Santo Antônio, é conhecida como a festa dos santos populares.

O dia de Santo Antônio é celebrado em 13 de Junho. A celebração é muito tradicional em Portugal. Diferentemente do que ocorre com São João, 13 de junho não é a data de nascimento do santo, mas de sua morte.

Já o dia de São Pedro, o pescador, é celebrado em 29 de junho. Neste mesmo dia, há quem celebre também o dia de São Paulo, que morreu na mesma data. São Pedro, por ser pescador, é muito celebrado nas cidades litorâneas, onde a pesca é uma atividade muito difundida e praticada.

Junto de São João, o Santo festeiro, Santo Antônio e São Pedro são os outros dois santos celebrados em junho. No Brasil, contudo, a festa junina mais disseminada é mesmo a de São João.

A Festa Junina de São João

O São João é uma das principais figuras das festas juninas. Nessa comemoração, a quadrilha é a dança típica e os dançarinos vestem-se com roupas caipiras.

Além dos tradicionais balões e fogueiras, várias brincadeiras dão mais brilho à festa. São exemplos: pescaria, cadeia, correio-elegante e boca do palhaço.

O Dia de São João também é marcado pela culinária, com várias comidas e doces típicos, como: rapaduras, amendoim, bolo de milho, cocada, curau, canjica, bolo de macaxeira / mandioca, paçoca, pé de moleque.

Existem outros pratos que variam de acordo com a região brasileira em que é celebrado o São João.

Essas iguarias estão quase sempre presentes nas festas. Cidades do interior do Brasil, em especial, fazem festas mais típicas e possuem costumes bastante difundidos entre todos os habitantes, diferentemente do que acontece nas cidades grandes.

No Brasil, a noite de São João mais famosa acontece na região nordeste do país, na cidade de Campina Grande, no estado da Paraíba. Esta é considerada a maior festa de São João do mundo.

No entanto, outras cidades nordestinas se destacam: Caruaru, em Pernambuco; São Luís, no Maranhão; Mossoró, no Rio Grande do Norte; e Teresina, no Piauí.

Os principais elementos da festa de São João

Os festejos da festa contam com pratos típicos da festa junina, brincadeiras e a quadrilha de São João, como dança tradicional. Porém, vale lembrar que isso pode mudar de região para região.

Além disso, outros elementos importantes da festa são o mastro e a fogueira de São João.

O mastro de São João inclui a imagem deste santo popular, juntamente com mais três bandeiras ou fitas coloridas, representando os santos populares da festa: Santo Antônio, São Pedro e São João.

Comidas de festa junina

O milho é um alimento muito importante nessas comemorações e, por isso, diversas comidas típicas de festa junina levam esse ingrediente.

Os principais pratos típicos de festa junina são: pipoca, paçoca, pé de moleque, canjica, cachorro-quente, pamonha, curau, bolo de milho, arroz-doce, pinhão, cuscuz e tapioca. Já as bebidas mais tradicionais são: vinho quente e quentão.

Todos esses elementos ajudam a compor o ambiente da festa, chamado de arraial. Ali é onde ficam as barraquinhas de comidas e bebidas típicas decoradas com bandeirolas juninas.

Danças típicas da festa junina

Nas festas juninas ouve-se e dança-se forró. A quadrilha junina é, todavia, a dança típica da festa. Ela tem origem nas danças de salão na França e consiste numa bailada de casais caracterizados com vestimenta tipicamente caipira.

Uma coreografia chamada de casamento caipira é feita em homenagem a Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Balões

Os balões são tradicionais, embora atualmente existam restrições por questões de segurança. Tradicionalmente, a soltura de balões indica o início das comemorações.

A Fogueira de São João

A fogueira também faz parte do cenário da festa. De origem pagã, ela simboliza a proteção contra os maus espíritos. A tradição foi mantida pelos católicos, que dedicaram uma forma de fogueira diferente para cada santo: a quadrada é de Santo Antônio; a redonda de São João; e a triangular de São Pedro.

No caso específico do Brasil, a prática do acendimento da fogueira na noite de 23 para 24 de junho foi trazida pelos jesuítas. Tal prática foi com o tempo associada a outras tradições populares, como o forrobodó africano (espécie de dança de arrasta-pé), que daria no forró nordestino, e a quadrilha caipira, que herdou elementos de bailes populares da Europa – palavras como “anarriê”, “alavantú” e “balancê”, por exemplo, são adaptações de termos de bailes populares da França.

Em torno da fogueira de São João também se desenvolveu uma série de superstições e simpatias. Há, por exemplo, a prática do “batismo na fogueira”, que cria laços de apadrinhamento na ação de saltar as brasas de uma fogueira que se tenha acendido.

Há também a tradição de inúmeras simpatias de adivinhação, principalmente aquelas relacionadas com o casamento. Um exemplo é a simpatia de se passear descalço nas brasas da fogueira com uma faca virgem em mãos. Depois, tal faca deve ser cravada em uma bananeira. No dia seguinte, a pessoa deve tirar a faca da bananeira e observar os desenhos que a nódoa do caule terá produzido. Desses desenhos aparecerão as iniciais do nome da pessoa com quem vai se casar.

Brincadeiras de festa junina

Brincadeiras como a cadeia, pau de sebo, pescaria, correio-elegante, saltar a fogueira, argola, entre outros, não podem faltar. Estão incluídas também as simpatias – que acabam carregando um pouco do tom de divertimento.

Roupas de festa junina

As roupas tradicionais de festa junina são tipicamente caipiras, com vestimentas bem coloridas e de estampa xadrez.

As mulheres usam vestidos coloridos e tranças no cabelo. Já os homens costumam usar camisa xadrez e chapéu de palha. Ambos usam maquiagem para imitar sardas (nas mulheres) e bigodes (nos homens).

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