Conheça o Cajón

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A palavra Cajón vem de caixa, quem espanhol, é o aumentativo da palavra caja, que significa caixa ou gaveta. Além disso, o próprio instrumento veio desses objetos, pois eram feitos de caixas vazias de alimentos que os escravos africanos no Peru, país onde o cajón foi criado, sentavam sobre elas. No entanto, Cuba também reivindica essa autoria. No Peru, desde 2001 o cajón é considerado Patrimônio Cultural da Nação.

Nos intervalos do trabalho, os escravos lembravam os ritmos de sua terra natal usando essas caixas de madeira e gavetas. Assim, eles desenvolveram um dos instrumentos de percussão mais populares da música.

No Peru, os maiores nomes deste instrumento são Porfírio Vásquez, conhecido como El Patriarca de la Música Negra. E também Nicomedes Santa Cruz, poeta que exportou a cultura do país para todo o planeta.

No Brasil e no mundo

Não é à toa, os mais variados estilos ao redor do mundo adotaram o uso do cajón. No Brasil, cuja maioria dos instrumentos de percussão são oriundos da mesma herança africana responsável pelo cajón, o instrumento foi facilmente adicionado ao samba. Além disso, aparece frequentemente no baião, ijexá e maracatú.

Cajón no flamenco

Assim, não demorou muito para o cajón cruzar os mares. Posteriormente, pelas mãos de Paco de Lucia, ele caiu como uma luva na música flamenca, complementando a formação que acompanha as palmas, o sapateado e as guitarras do gênero.

Porém pela simplicidade no formato, construção e tocabilidade, o cajón acabou se tornando aquele instrumento carismático. Encanta tanto a amadores em noites de bar, quanto os naipes de percussão de grandes artistas internacionais.

Como tocar o cajón

O cajón produz belos timbres. Tem um grave encorpado e médio/agudos estáveis. Dessa forma, esses sons podem e são explorados de várias formas. Mas, a maioria das pessoas costuma dividi-los para cumprirem os papéis das peças de um kit de bateria. Assim, destacam-se três timbres:

  • Caixa: como um tarol, produzimos esse som nas laterais superiores do instrumento. Ele vem das cordas instaladas no topo interno do cajón, em seu modelo mais tradicional.
  • Bordas: nas quinas e cantos do cajón, geralmente com a ponta dos dedos, reproduzimos um timbre parecido com o dos extremos e mesmo do aro da caixa. Então, é um som mais agudo e seco, que também costuma substituir a função do chimbal. Há quem use uma baqueta ou vassourinha para tocar essa região.
  • Bumbo: a mão aberta no centro frontal do cajón traz o grave cheio e definido para aquela marcação junto com o baixo. Quanto maior o tamanho do cajón, mais forte é seu grave!

Isso é apenas o básico. Mas, recomendamos que se sente em um cajón e o explore. Com criatividade e a riqueza do instrumento, podemos encontrar inúmeros e maravilhosos sons! E, por fim, não precisa tocar com força, pois o som dele é bem definido.

Tipos de cajón

Atualmente, o cajón pode ser encontrado em dois tipos:

  • Acústico: de valor mais acessível, emite o som nas laterais superiores (caixa), no centro-frontal (bumbo) e nas quinas (bordas).
  • Elétrico: conta com captador interno que amplifica o som. Ideal para shows, é um pouco mais caro.

Acessórios

  • Batedor: espertamente foi desenvolvido um batedor para o bumbo. Com a ponta de borracha, o batedor é leve, poupa as palmas das mãos e evita que sentamos o braço no instrumento!
  • Adesivo texturizado: este acessório amplia as frequências, proporcionando ainda mais riqueza de timbres. Funciona como uma pele de bateria. Pode ser tocado com as mãos, baquetas ou vassourinhas.
  • Vassourinha: enquanto uma das mãos marca o bumbo, a mão que faz a caixa usa a vassourinha para dar aquele efeito suave e bonito!
  • Leg ou Ring Shaker: pode ser preso na perna, no pulso ou nos dedos da mão. Pronto! Agora temos uma percussão e tanto!
  • Pedal de bumbo: muita gente usa o pedal virado ao contrário, para tocar a parte frontal do cajón tal qual o bumbo da batera. Assim, as mãos ficam liberadas para encher ainda mais o som!

Madeira

Os tipos de madeira mais utilizados no cajón são MDF, Imbuia e Birch.

Tipos de corda

As cordas no cajón servem como a esteira da caixa da bateria. Então, entender essa função vai nos ajudar a tocar no local certo dele, de forma a explorar o melhor dos timbres.

  • Cordas fixas: são presas com uma fina camada de malha. Produzem um som firme e equilibrado.
  • Cordas ajustáveis: oferecem a possibilidade de ajuste, de acordo com a preferência e gosto do instrumentista. Mas é bom que ele seja treinado na função, para manter a afinação.
  • Cordas na parte superior: as cordas localizadas na parte de cima proporcionam mais alternativas de timbre e presença.
  • Cordas na frontal inteira: alguns cajóns possuem cordas que cobrem toda a superfície, trazendo um som mais rasgado e alto. Assim, é bom para simular a rufada da caixa e também para ritmos latinos, além do flamenco.

Além disso, é possível encontrar cajón com couro na região do bumbo, almofada na parte de cima para o conforto do instrumentista; e até design ergonômico, ou seja, um pouco inclinado. São muitas as inovações e variações para facilitar a vida do percussionista e explorar ainda mais esse belo instrumento.

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