A história da musicoterapia

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A história da musicoterapia é antiga. Nossos antepassados já tinham alguma noção de que a música possuía um poder terapêutico que poderia ser de muita valia para o tratamento de diversos problemas.

Egito antigo

O primeiro registro escrito falando sobre musicoterapia ao qual temos acesso são os Papiros de Lahun, uma coleção de textos egípcios antigos que relatam tópicos da vida comum do cidadão do Egito antigo, como problemas administrativos, matemáticos e relatos médicos.

Através desses arquivos arqueológicos, pode-se constatar que a musicoterapia, mesmo não sendo a mesma de hoje, era amplamente utilizada nos templos egípcios.

Além disso, acredita-se que a prática tenha sido realizada nos tempos bíblicos. Essa hipótese advém de um trecho do velho testamento que conta a história do rei Davi.

Antes de ganhar notoriedade por ter enfrentado o gigante Golias, Davi era um tocador de harpas na corte do rei Saul e usava o instrumento para acalmar os ânimos do nobre. Em Samuel, capítulo 16, versículo 23, podemos ler o seguinte trecho: “E sempre que o espírito mau de Deus acometia o rei, Davi tomava a harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava.”

Os gregos

Existem, ainda, registros que mostram que a música tinha importância social e terapêutica desde a Grécia antiga.

Tanto é que o panteão (conjunto de deuses gregos) contava com entidades como Apolo, o deus grego da música e medicina, ou então Esculápio, outro deus da medicina, que curava as doenças da mente através de músicas e canções.

A obra de filósofos gregos pré-socráticos já discutem sobre os possíveis benefícios terapêuticos da música.

Platão, por exemplo, dizia que a música afeta as emoções e pode influenciar o caráter de um indivíduo. Aristóteles ensinava que a música afeta a alma e a descrevia como “uma força capaz de purificar as emoções”.

Por enquanto, vale ressaltar somente que por volta de 400 a.C., Hipócrates, outro filósofo, tocava música para doentes mentais e que essa prática continuou influente até depois do fim da Grécia antiga.

Aulo Cornélio Celso, um grande enciclopedista romano, defendia que o som de címbalos e água corrente seriam efetivos para o tratamento de transtornos mentais.

Primeiros estudos – Século XII

A primeira vez que o potencial terapêutico da música foi reconhecido foi no século IX, durante a Idade de Ouro Islâmica. Nessa sociedade, a música tinha ampla utilização terapêutica.

O cientista, psiquiatra e musicólogo Al-Farabi (872 a 951 – 79 anos) fez referência ao efeito terapêutico da música em seu tratado Significados do Intelecto, sendo que os hospitais árabes do século XII contavam com salas de música para os pacientes.

Século XVII

Robert Burton foi um acadêmico inglês e vigário da Universidade de Oxford no século XVII e autor do livro “A Anatomia da Melancolia”, por muitos considerado a maior obra literária da época.

O livro é um compêndio de textos e análises acadêmicas sobre o sentimento que dá título à obra: a melancolia (o que inclui o que chamamos hoje de “depressão”).

No seu livro, o acadêmico escreve a música e a dança eram fundamentais para o tratamento de doenças mentais, especialmente a melancolia.

Seu trabalho foi muito influente, dando origem à diversos outros à respeito da relação do ser humano com a música.

A origem da musicoterapia contemporânea

Não menos interessante que todas as especulações feitas por sociedades antigas, a história da musicoterapia moderna tem suas raízes em um local bastante curioso: os hospitais militares da segunda guerra mundial.

A música nunca deixou de gerar interesse em médicos, mas foi somente aplicada de forma sistematizada e estudada por conta do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A música era utilizada nesses hospitais para ajudar na recuperação de soldados que voltaram da guerra, sendo especialmente voltada para pacientes transtornos mentais e emocionais.

A musicoterapia não é uma técnica nova. Muito pelo contrário. Gerou por muito tempo fascinação e é somente a partir do século XX que investigações mais científicas puderam ser feitas a respeito do seu potencial terapêutico.

Além disso, hoje, mais do que em qualquer outro momento da história da humanidade, estamos em contato direto com a música. Ela se faz presente o tempo todo, nos nossos fones de ouvido, nos nossos carros e até no trabalho.

Muitas vezes, não temos o tempo necessário para apreciá-la como deveríamos e ela acaba servindo como simples ruído de fundo. Entretanto, se enxergarmos o potencial terapêutico e as mudanças que ela pode proporcionar a nossa vida, talvez possamos levar uma vida saudável. Se não saudável, pelo menos mais sonoramente colorida.

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